27 de junho de 2017

André Vital fala sobre pedido de 300 mil entregues a Marcelo Nilo

O ex-executivo da Odebrecht, André Vital, narra com detalhes os pagamentos feitos ao deputado estadual Marcelo Nilo (PSL) no âmbito da campanha de 2014. Em delação premiada aos procuradores da Lava Jato, Vital relata que Nilo pediu dinheiro à companhia para pré-campanha ainda em 2013, um ano antes do pleito.

“O deputado Marcelo Nilo solicitou um encontro com Marcelo Odebrecht, encontro esse que aconteceu em São Paulo no nosso escritório e pelo que consegui verificar na agenda de Marcelo, no dia 24 de julho de 2013. Após o encontro, Marcelo [Odebrecht] me relatou o teor desse encontro”, recorda o delator.

De acordo com Vital, Nilo afirmou a Odebrecht que pretendia ser candidato ao governo da Bahia e isso estaria condicionado à decisão que o PT tomaria em relação a Rui Costa naquele momento. “O deputado Marcelo Nilo comentou com Marcelo que caso o candidato Rui Costa não fosse o escolhido na convenção do PT para concorrer ao governo do estado, ele receberia autorização do governador Jaques Wagner para ter candidatura própria. Então, ele gostaria de ter um apoio para sua pré-campanha. Marcelo disse a ele que me procurasse em Salvador, já que o apoio de campanha era sugerido localmente. Marcelo Nilo, depois desse encontro, me procurou, esteve no escritório da companhia em Salvador comigo, relatou inclusive o encontro com Marcelo e me disse que precisava de R$ 300 mil para essa pré-campanha”, conta o ex-executivo.

“Eu submeti o valor à aprovação de [Benedito] Júnior, operacionalizei via caixa dois junto à equipe de Humberto Silva e, se não me engano, o valor foi pago em três ou quatro parcelas ao longo do segundo semestre de 2013. Eu próprio entreguei os valores ao candidato no escritório da companhia em Salvador”, disse Vital, que também contou ter entregue à Lava Jato registros telefônicos que teve com o deputado. “Eu me lembro que ele ligava, trocava mensagens para saber qual é o dia que ia estar com maior disponibilidade”, frisou.

Marcelo Nilo negou que tenha recebido doação irregular. Ele disse que recebeu, em 2014, R$ 300 mil do grupo Odebrecht, mas de forma oficial. “Recebi R$ 300 mil de forma oficial. R$ 20 mil no dia 3/09, R$ 80 mil no dia 04/09 e R$ 200 mil no dia 01/10 de 2014. Braskem as duas primeiras e a última, pela Impex Eireli, do grupo Odebrecht. Tudo oficial, declarado no TRE”, explicou o deputado.

Neste sábado (15), Nilo reiterou que o valor de R$ 300 mil foi pago à sua campanha via caixa 1 e admitiu que esteve com Marcelo Odebrecht para pedir apoio caso fosse candidato ao Palácio de Ondina. “Estive com Marcelo Odebrecht para pedir apoio se eu fosse candidato a governador. Como não fui, só recebi a ajuda oficial para deputado estadual”, disse o parlamentar.

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