23 de Outubro de 2017

Homem que vendeu armas para atirador dos EUA sofre ameaças e diz que não queria 'machucar ninguém'

Homem que vendeu armas para atirador dos EUA sofre ameaças e diz que não queria 'machucar ninguém'

 

A loja de armas dirigida por David Famiglietti, que tem 30 e poucos anos e gosta de caçar animais de grande porte, fica em uma pequena ilha comercial entre as montanhas e a areia cinzenta do deserto de Nevada, a meia hora de carro do centro de Las Vegas.

 

Desde o último domingo, quando um de seus clientes abriu fogo contra uma multidão de 20 mil pessoas e deixou 59 mortos e mais de 500 feridos, o movimento da loja, até então formado por donos de pequenos sítios, militares da reserva e famílias inteiras de entusiastas de armas pesadas, ganhou companhia indigesta: jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas de todo o mundo em busca de informações.

 

Na última terça-feira, a BBC Brasil estava entre os novos visitantes da New Frontier Armory.

 

Quando a reportagem se aproximou do balcão, um jovem atendente de barba interrompeu uma explicação sobre as pistolas da vitrine e se adiantou, apontando para uma equipe de chineses que carregavam câmaras com lentes enormes. "Você é um deles?"

 

Antes da resposta, o homem estendeu um papel gasto com o email de Famiglietti, também vice-presidente da Coalizão de Armas de Fogo de Nevada, ligada a Associação Nacional do Rifle - principal grupo lobista pró-armamento dos Estados Unidos e doador de US$ 30 milhões para a campanha de Donald Trump à Presidência.

 

Do lado de fora, um homem magro na casa dos 60 anos, notando a frustração deste repórter, pede um isqueiro e diz que "o dono (da loja) está aí, sim, vem todos os dias. Mas não quer falar pessoalmente com jornalistas".


'Não era a intenção'

 

Famiglietti proibiu pessoalmente todos os funcionários e funcionárias de responder a qualquer pergunta da imprensa.

 

Deu ordem para que informassem a todos que apenas ele, o presidente da New Frontier Armory, seria a fonte para perguntas sobre o ocorrido.

 

A reportagem esperou duas horas até que um alerta no celular mostrasse uma resposta em formato de nota oficial, na qual Famiglietti confirmava que o atirador Stephen Paddock, que se suicidou quando a polícia estava prestes a arrombar seu quarto, havia comprado "várias armas de fogo" ali no início do ano.

 

Ele fez apenas uma visita à New Frontier Armory.

 

O texto também ressaltava que todos os requisitos locais, estaduais e federais haviam sido preenchidos pelo atirador, e apontava que, desde o evento, a loja vinha colaborando "de todas as maneiras possíveis" com as investigações do FBI.

 

As respostas técnicas satisfizeram boa parte da imprensa americana, que vem repetindo as aspas de Famiglietti à exaustão.

 

 

 

Fonte: G1

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