23 de Agosto de 2017

Mãe de Eliza ajoelha, chora e se diz 'aliviada'; veja repercussão

A mãe de Eliza Samudio, Sônia Moura, se ajoelhou, chorou e disse estar "aliviada", na noite de sexta-feira (23), no plenário do Tribunal do Júri de Contagem, em Minas Gerais. Ela deu a declaração logo após a juíza Marixa Fabiane Rodrigues confirmar a condenação de Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, pela morte da filha. Para a Justiça, Eliza foi morta em junho de 2010. O corpo nunca foi encontrado.

Além de Macarrão, o júri condenou Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada do goleiro Bruno Fernandes, por participação nas ações que resultaram na morte de Eliza,  ex-amante do jogador.

O amigo do goleiro foi condenado a pena de 15 anos de prisão, sendo 12 em regime fechado por homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, asfixia e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima), e 3 em regime aberto, pelo sequestro e cárcere privado. Ele foi absolvido da acusação de ocultação do cadáver de Eliza. Ao ouvir a decisão, Macarrão chorou.

Fernanda foi culpada por dois crimes de sequestro e cárcere privado - de Eliza Samudio e de seu filho, Bruninho. Ela foi condenada à pena de 5 anos, a ser cumprida em regime aberto.

Resultado esperado
A advogada Carla Silene, defensora de Fernanda, disse na madrugada deste sábado (24) que sua cliente já esperava ser condenada no tribunal. "Dentro do contexto que se apresentou, ela já esperava esse resultado”, declarou. "Ela não volta para cadeia."

Carla adiantou que vai recorrer da decisão proferida pela juíza Marixa. "Assim como recorremos da pronúncia e ainda não transitou em julgado, vamos recorrer também deste julgamento", disse.

Segundo a defensora, a ex-namorada de Bruno saiu do Fórum de Contagem com a "cabeça erguida", apesar de "emocionalmente abalada". A advogada ressaltou que a grande vitória de sua cliente ocorreu fora do plenário. Para Carla, o maior mérito neste caso para Fernanda foi não ter sido pronunciada pelo crime de homicídio.

Goleiro 'não escapa', diz promotor
Após o júri, na madrugada de sábado, o promotor de Justiça Henry Wagner Vasconcelos de Castro disse que "não há escapatória para ele [Bruno]". "Tenho certeza que a pena para ele tem que ser uma pena significativa”, afirmou, fazendo uma comparação com a condenação de Macarrão.

O promotor disse estar “feliz com a decisão”. “O resultado foi conforme eu esperava”, afirmou. Castro ressaltou, no entanto, que não houve vitória, já que Eliza está morta.

Questionado sobre o que vai acontecer com o goleiro Bruno, que também é reu no caso, o promotor respondeu, que se Macarrão foi condenado, "é claro que a [sentença] do Bruno tem que começar por aí”.

O atleta vai ser julgado em Contagem no dia 4 de março de 2013, junto com o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, e Dayanne Rodrigues, ex-mulher do jogador. Os três réus tiveram seu júri adiado.

Advogado quer confissão de Bruno
Para o advogado José Arteiro Cavalcante Lima, que representa a mãe de Eliza e foi assistente do promotor Henry Wagner Vasconcelos de Castro, o goleiro Bruno deveria confessar sua participação no crime contra Eliza. "A melhor coisa para o Bruno é a confissão", disse ele, no sábado.

Lima ainda disse que iria comemorar a sentença, após o fim do julgamento. “Agora eu vou comer macarrão”, declarou, em tom de deboche, enquanto deixava o Fórum de Contagem.

O assistente de acusação criticou a postura dos defensores de Bruno, que teve o júri adiado e vai ser julgado apenas em 4 de março de 2013. “O advogados dele não sabem trabalhar. Quem sabe sabe. Quem não sabe bate palma para quem sabe”, disse, referindo-se à condenação de Macarrão e de Fernanda.

Julgamento
Os jurados saíram do plenário em direção à sala secreta às 21h de sexta-feira, e voltaram depois de mais de duas horas.

Durante esse período, eles responderam a quesitos preparados pela juíza, com a concordância de advogados e do promotor.

Com respostas "sim" e "não", os jurados decidiram se os réus cometeram o crime, se podem ser considerados culpados e se há agravantes ou atenuantes, como ser réu primário. Em seguida, a magistrada Marixa Fabiane redigiu a sentença.

O júri popular, que teve início com cinco réus, acabou com apenas dois acusados: Macarrão e Fernanda.

O jogador Bruno Fernandes de Souza, que era goleiro titular do Flamengo, é acusado de ter arquitetado a morte da ex-amante, em 2010, para não ter de reconhecer o filho que teve com Eliza nem pagar pensão alimentícia.

Bruno, a sua ex-mulher Dayanne Rodrigues e o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, tiveram o júri desmembrado pela juíza Marixa e serão julgados em 2013. 

 

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