25 de Maio de 2018

Vereador critica distância dos temas do carnaval com a realidade da festa

Sílvio Humberto: “Os blocos afros resistem, como verdadeiros revolucionários”

Apesar da festa já estar acontecendo desde o último sábado (03/02), com atrações e foliões nas ruas de Salvador, será na noite desta quinta-feira (08/02), a abertura oficial do Carnaval 2018. Com a expectativa de atração de mais de 650 mil turistas e circulação de mais de R$ 750 milhões em atividades ligadas diretamente à festa, Prefeitura e Governo do Estado se movimentam para garantir a pujança da folia, com investimentos vultosos em atrações das mais diversas.

O executivo municipal, que escolheu para a festa o tema ‘Salvador, meu Carnaval’, fala num montante de R$ 55 milhões, dividido com os seus patrocinadores. O governo estadual decidiu homenagear um importante acontecimento histórico nacional, com o tema ‘220 anos da Revolta dos Búzios - Igualdade e Liberdade’, e anunciou investimentos da ordem de R$ 70 milhões, sendo R$ 26 milhões para contratação de atrações na capital e no interior. R$ 6,5 milhões dessa soma foram destinados para os blocos de matriz africana, num total de 91 entidades apoiadas pelo Carnaval Ouro Negro.

A Empresa Salvador Turismo (Saltur) também afirma apoiar blocos e entidades de matriz africana, mas não divulgou o valor do investimento nem as entidades selecionadas.

Críticas - O presidente da Comissão de Cultura da Câmara Municipal de Salvador, vereador Sílvio Humberto (PSB), disse que o carnaval é momento de festejar, mas sem perder de vista as contradições da festa. Segundo ele, o seu mandato estará todos os dias na rua, observando os pontos de melhoria da folia. “O que a nossa equipe coletar de informações, vai servir de conteúdo para as nossas proposições sobre a festa, ao longo do ano”, pontuou Sílvio.

O parlamentar informou ainda, que o seu mandato também tem um tema para a festa: ‘Salvador, meu Carnaval é o da Revolta dos Búzios’. Segundo ele, a fusão dos dois temas (da Prefeitura e do Estado) representa o modo como cada um dos entes públicos trata o evento. “A despeito do prefeito ter anunciado que o tema do carnaval deste ano representa que a festa é de todos. O que vemos, na prática, é uma construção feita para alguns poucos, que vão poder usufruir do melhor da folia”, assinala Sílvio. Conforme o legislador, a maior parte da população pobre e negra da cidade vai trabalhar durante o carnaval. “Em geral, como ambulantes, cordeiros e seguranças”, destacou.

Sílvio criticou também a falta de apoio para os blocos afros e afoxés. O vereador aponta que, para estas entidades o carnaval é a culminância de atividades desenvolvidas ao longo do ano inteiro. “É muito mais do que festa. É inclusão social. Por isso, o modelo de apoio precisa ser repensado”, avalia. Para o edil, os blocos afros, mesmo diante do desrespeito às suas histórias e da falta de apoio público, resistem na defesa dos seus ideais, como verdadeiros revolucionários”, concluiu.

Whatsapp

Galeria

Imagens de 'close' inédito da Grande Mancha Vermelha de Júpiter
FOTOS HISTÓRICAS QUE VOCÊ PROVAVELMENTE NUNCA VIU
Apresentações e treinos no Vitória
Ver todas as galerias

Artigos