16 de Outubro de 2018

Com efetivo menor, polícia investiga 40 mil dados de celulares na busca por assassinos de Marielle

 

A morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, em 14 de março passado, ainda é um mistério para a Polícia Civil do Rio de Janeiro. Passados exatos seis meses do crime, a Divisão de Homicídios teve o efetivo de policiais envolvidos nas investigações reduzido em comparação ao início dos trabalhos no caso. Nos primeiros dias teve 30 agentes, passou a dez e, há 14 dias, voltou a ter 20 investigadores, de acordo com informações.

 

 

A morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, em 14 de março passado, ainda é um mistério para a Polícia Civil do Rio de Janeiro. Passados exatos seis meses do crime, a Divisão de Homicídios teve o efetivo de policiais envolvidos nas investigações reduzido em comparação ao início dos trabalhos no caso. Nos primeiros dias teve 30 agentes, passou a dez e, há 14 dias, voltou a ter 20 investigadores, de acordo com informações.

Alguns foram deslocados para outras atividades na própria DH ou em missões na Polícia Civil, todos a pedido da administração da própria corporação.

Seis meses após morte de Marielle, viúva chama crime de 'Barbárie de 14 de março'

Além da falta de efetivo, a Polícia Civil está em meio a uma análise que envolve, no mínimo, 40 mil páginas de dados de telefones celulares. Ao pedir informações em concessionárias telefônicas, a polícia recebeu uma quantidade imensa de mensagens trocadas naquela região do crime e poucas de voz. O cruzamento de informações busca saber se esses telefones aparecem em outros pontos da cidade no dia do assassinato de Marielle e de Anderson.

Um policial explicou que, há sete anos (em 2011), quando a DH investigou o assassinato da juíza Patrícia Acioli, o volume de ligações era bem maior do que a troca de mensagens de textos. Hoje, segundo ele, esse fluxo de informações inverteu, o que dificulta a apuração.


Nem a delação de um suposto envolvido com o crime clareou as investigações. As autoridades reclamam que o vazamento do depoimento "atrapalhou e até pode ter desaparecido com provas do assassinato". De acordo com o depoimento, o vereador Marcelo Siciliano teria planejado a morte de Marielle que foi executada a mando do miliciano Orlando de Oliveira Araújo, o Orlando da Curicica.

Desde o dia do crime até esta quinta-feira (13), o Disque-denúncia recebeu 190 denúncias sobre o caso. De acordo com os investigadores, as informações indicam linhas de investigação mas não levaram a provas para o crime.

"Certamente há alguma pista importante nas denúncias recebidas, mas faltam mais informações para apontá-la. Se um dia o crime for esclarecido, a informação vai parecer evidente", comentou Zeca Borges, coordenador do Disque-denúncia.
Sigilo quebrado revelou outro crime
Na tentativa de confirmar essa linha de investigação, a DH pediu e obteve da Justiça a "quebra" do sigilo do telefone que Orlando usava na cadeia. A investigação levou a polícia a descobrir que os milicianos presos em uma galeria do presídio Bandeira Stampa arrumavam e dividiam o celular entre eles.

A polícia descobriu que um dos integrantes do grupo, Diogo Maia dos Santos, o DG da Boiúna, ordenou por R$ 3 mil a morte de Carlos Alexandre Pereira, em 9 de abril deste ano. Apesar de Orlando também usar o telefone, a polícia não comprovou o envolvimento dele neste crime. Logo depois da descoberta, Orlando foi transferido para o Presídio Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

O vereador contratou uma agência formada por policiais civis para investigarem o crime. O grupo apontou um novo caminho para o caso: o envolvimento de um político influente na Zona Oeste do RJ, ex-deputado estadual, que teria contratado o que vem sendo chamado de "escritório do crime" e seria responsável por uma série de mortes no RJ.


As provas foram levadas pela defesa do vereador para o inquérito e ganharam força entre promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro junto com a promotora Letícia Emily, que assumiu o caso no início deste mês de setembro.

Apesar das duas linhas de investigação, do miliciano e do escritório do crime, a polícia ainda não obteve provas conclusivas sobre nenhuma delas.

Em nota, o Gabinete de Intervenção Federal e a Polícia Civil afirmaram que "as investigações prosseguem sob sigilo a fim de que possam ser obtidas as provas necessárias à elucidação do crime"

 

 

Fonte: G1

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