23 de Setembro de 2019

"Ônibus não é lugar de vender produtos", diz diretor da Integra

Foto: Reprodução

Os baleiros que atuam na capital baiana estão sendo oficialmente proibidos de vender produtos dentro dos ônibus que circulam em Salvador.

Diretor de relações institucionais da Integra, Jorge Castro disse que coletivos estão sendo fiscalizados diariamente para impedir a entrada de baleiros, até mesmo dos que estão credenciados.

“Não existe nenhuma lei deixando qualquer ambulante vender nada no ônibus. Eles chamam de baleiros porque é mais bonitinho, mas são todos ambulantes, que ficam subindo no ônibus, constrangendo as pessoas. Sempre fomos contra a comercialização nos ônibus, mas não tínhamos a possibilidade de fiscalizar. Hoje a gente tem. E a sociedade também começou a se revelar, os passageiros estão do nosso lado e não suportam mais ser coagidos”, afirmou.

Castro disse ainda que os coletivos agora vão ser utilizados apenas “para transportar os passageiros com comodidade”, sendo as vendas permitidas apenas em estações e pontos de ônibus.

“Pode colocar nos terminais, fazer regulamento para atuar nos pontos, mas ônibus não é lugar de comércio. Vê se alguém entra no metrô. Nem passa pela porta. Não vai mais ter gente entrando no ônibus fazendo ameaça, com aquela frase que fala que poderia estar matando, que já foi traficante, mas que agora não é mais. É um absurdo isso, eles jogam as mercadorias no colo das pessoas, um negócio totalmente agressivo. Agora estamos fiscalizando”, reforçou.

Apesar da queixa dos baleiros e da confirmação da Integra sobre a proibição, o Sindicato dos Rodoviários desconhece a medida.

“Não temos conhecimento sobre nenhuma fiscalização. Se vem acontecendo, talvez seja isolado por parte dos empresários. Apesar dos episódios que tiveram, passado os ataques de supostos baleiros contra nós, graças a Deus hoje estamos com uma relação muito boa com os baleiros”, disse o vice-presidente da categoria, Fábio Primo.

No último dia 4 de abril deste ano, os rodoviários chegaram a anunciar a proibição de baleiros nos coletivos, após um motorista ter sido esfaqueado no bairro de Caixa d’Água.

Na época, Primo informou que motorista, identificado apenas como Djavan, teve um desentendimento com um baleiro no terminal Acesso Norte, após alertá-lo sobre outro vendedor já estar dentro do veículo.

“O cara não gostou, desceu e disse que o motorista ‘ia ver o dele’. Quando chegou na Caixa d’Água, aconteceu esse episódio. O rodoviário só não morreu porque teve a habilidade de usar as pernas e os braços para se defender”, disse.

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