23 de junho de 2017

Obras renderam R$ 90 mi em propina a PP, PT e PSB

Informações constam da delação de ex-executivo da Odebrecht à PGR

Informações constam da delação de ex-executivo da Odebrecht à PGR

 

As obras realizadas na Refinaria Abreu e Lima (PE) renderam R$ 90 milhões em propinas a ex-executivos da Petrobras ligados ao PP, PT e PSB. As informações constam da delação do ex-executivo da Odebrecht Márcio Faria da Silva à Procuradoria-Geral da República (PGR). O empreendimento, que não está concluído, foi realizado pela Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa e Queiroz Galvão. Os dois contratos da refinaria assinados em 2009 somaram R$ 4,6 bilhões.

O empresário Aldo Guedes, ligado ao governador Eduardo Campos (morto em 2014 e do PSB), teria recebido R$ 15 milhões; Paulo Roberto Costa, ligado ao PP, R$ 15 milhões; José Janene (ex-deputado do PP, morto em 2010), R$ 15 milhões; Pedro Barusco ex- gerente da Petrobras ligado ao PT, R$ 30 milhões, e Glauco Lagatti, ex-gerente da refinaria, R$ 15 milhões.

De acordo com Faria da Silva, em um encontro realizado em São Paulo, Guedes disse ser “o único representante do governador Eduardo Campos” e, em nome dele, pediu uma contribuição de 2% do valor global dos dois contratos, correspondente a R$ 90 milhões. Faria da Silva, para “manter uma boa relação”, aceitou pagar R$ 15 milhões – metade seria paga pela Odebrecht, metade pela OAS. “É o que nós temos”, disse.

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Embora insatisfeito, o empresário aceitou o valor menor do que o solicitado. “Ele (Aldo Guedes) disse que o governo de Pernambuco iria dar apoio incondicional a nós na condução do contrato, com ênfase muito forte nas relações sindicais, uma vez que iríamos ter 50 mil pessoas de todas as contratistas lá na obra”, afirmou o delator.

Um segundo beneficiário, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, pediu 1% do valor da obra, o que chegaria a R$ 45 milhões. A Odebrecht disse que o consórcio pagaria, no máximo, R$ 30 milhões ao PP, partido ao qual o ex-executivo era ligado. O ex-diretor, no entanto, combinou com Faria da Silva que a Odebrecht pagaria, no máximo, R$ 15 milhões a Janene, que seria o terceiro beneficiário do total de R$ 90 milhões em propinas. Os outros R$ 15 milhões ficariam com o próprio Costa, mas sem Janene saber.

“Primeiro vieram falar em 1%, R$ 45 milhões, totalmente fora de propósito. Eu falei que não ia ser isso, não 1%, mas sim um valor fixo, de R$ 30 milhões. E dos R$ 30 milhões, eu iria dizer que seriam só R$ 15 milhões, porque o Paulo também queria R$ 15 milhões para ele”, afirmou o delator. A Odebrecht, segundo Faria da Silva, ficou responsável por pagar Costa e, a OAS, a Janene.

Outros R$ 30 milhões foram pagos a Barusco, subordinado ao ex-diretor Renato Duque, uma indicação política do PT. “Não sei quem pagou quem (Odebrecht ou OAS), mas com certeza foi dividido.”

Gerente das obras na refinaria, Glauco Legatti recebeu R$ 15 milhões. “Glauco era talvez a figura mais importante dentro do projeto. Prometeu ajuda, rapidez, celeridade nas aprovações dos nossos direitos, o que infelizmente não ocorreu”, relatou Faria da Silva.

Com custo inicial de R$ 7,5 bilhões, as obras da refinaria já consumiram R$ 58,6 bilhões.

Procuradas, as defesas de Aldo Guedes e dos três partidos citados não foram localizadas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Band

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