23 de abril de 2017

Policiais federais prometem greve dia 28

Em repúdio a PEC 287/2016, que trata da reforma da Previdência Social, policiais federais se mobilizaram ontem (5) em todo país para deliberar sobre estado de greve

Em repúdio a PEC 287/2016, que trata da reforma da Previdência Social, policiais federais se mobilizaram ontem (5) em todo país para deliberar sobre estado de greve

 

Em repúdio a PEC 287/2016, que trata da reforma da Previdência Social, policiais federais se mobilizaram ontem (5) em todo país para deliberar sobre estado de greve. Em Salvador, o ato aconteceu em frente à Superintendência Regional na Avenida Oscar Pontes, Água de Meninos, e contou com a participação de agentes, peritos, delegados, escrivães e papiloscopistas federais. A categoria vai aderir à greve geral no próximo dia 28.

Segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Federais da Bahia, José Mário Lima, o projeto acaba com a expectativa da aposentadoria policial e os que sobreviverem não terão condições adequadas para oferecer segurança à população.
“Em média um policial federal começa exercer a carreira a partir dos 27 anos de idade. Cumprindo 49 anos de contribuição ele só poderá se aposentar com 76 anos. Nessa idade, ele terá limitações físicas e psicológicas para proteger a população. Quem vai confiar a vida a uma pessoa com restrições?”, questionou.

José Mário ressaltou que os profissionais de segurança pública exercem atividade de risco, em face da natureza da atividade policial que tem o dever legal de enfrentar o perigo e que, por isso, é altamente complexa, estressante e exige condições físicas, psicológicas e regime de trabalho diferenciado.

“A Polícia Federal não só atua com investigações, como também entra em confronto com marginais. É inadmissível que um país onde morrem cerca 500 policiais por ano, não reconhecer a nossa profissão como atividade de risco. Em outros segmentos, quando sua jornada de trabalho acaba, eles vão para casa descansar sem se preocupar com a atividade exercida. Com a gente é diferente, quando vamos para casa podemos cruzar com um bandido que pode tirar nossa vida”, frisou.

O diretor parlamentar do sindicato, Augusto Almeida, salientou que se a reforma passar, o policial deixará de gozar o direito à aposentadoria, porque muitos morrerão no exercício de seu ofício sem conseguirem atingir os 49 anos de contribuição exigidos.
“Não dá para acreditar que o Governo Federal encaminhe uma proposta de reforma da Previdência como essa. Temos os índices de mortalidade mais altos do mundo e sequer alcançados por países em guerra. Precisamos é de uma reforma na Saúde, na Educação, na Assistência Social para melhorar nossa qualidade de vida, isso sim é imprescindível”, disse.

Segundo o diretor regional da Associação dos Delegados de Policia Federal, delegado Rony José Silva, a PEC 287/2016 enfraquecerá a categoria. “Nós estamos em fase ruim da categoria, com alto índice de suicídio e depressão. Trabalhamos duro para garantir a ordem pública. Não dá para um policial idoso enfrentar um marginal de 18 anos, não há possibilidade dessa reforma dar certo. Não pode haver um retrocesso para a segurança pública”, afirmou.

Para a policial federal Gleise Lima de Oliveira, a PEC está suprindo a equiparação das vantagens femininas conquistada recentemente. “Não se pode, simplesmente, passar por cima de um direito adquirido depois de anos de luta. Há pouco tempo, conseguimos essa tão sonhada equiparação, que com a reforma não vai mais existir. Não tivemos nem tempo de se acostumar com ela”, disse.
O policial André Canelas observou que, “não podemos tomar como exemplo outros países para se reformar a previdência, sem olhar a estrutura daquele lugar. Em outros países a saúde, o transporte, a segurança, a educação e toda parte assistencial funcionam, aqui não”, finalizou.

 

 

 

 

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

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