29 de Maio de 2022

Ex-diretor do Hospital Roberto Santos afirma que Fábio Vilas-Boas não tinha bom relacionamento com os seus diretores

Em entrevista ao programa Microfone Aberto da Rádio Massa FM, com o apresentador André Spínola, o médico e ex-diretor do Hospital Roberto Santos, José Admirço Lima Filho comentou sobre a sua saída do hospital após pouco mais de quatro anos atuando como diretor-geral. Conforme divulgado à época, o médico anestesiologista pediu para deixar o cargo por conta de divergências com o agora ex-secretário Estadual de Saúde, Fábio Vilas-Boas.

“Na verdade existem divergências políticas, divergências da forma de pensar [...] o secretário, não tinha condições de ter um convívio harmonioso e gerir uma unidade que passam sete mil pessoas sem conseguir ter um acesso ao antigo secretário e acabou dificultando todo o projeto que eu tinha que era muito maior de transformação. Fiz muita cirurgia, quando assumi o hospital só tinha 43 leitos de UTI e eu entreguei o hospital com 133. Hoje, provavelmente, se vocês forem pegar os números do SUS, vocês vão ver que o Hospital Roberto Santos ele fica entre os primeiros com o maior número de leitos de terapia intensiva porque era um dos desejos da minha equipe de que o hospital se tornasse cada vez mais reequipado”, disse o ex-diretor.

Questionado por Spínola se a vaidade de Fábio Vilas-Boas fez com que ele deixasse o cargo, Admirço disse que a maneira do ex-secretário se relacionar com os diretores colaborou para a sua saída. “Eu acho que a forma dele conduzir a relação interpessoal com os diretores do hospital me fez demitir.  Eu sou uma pessoa muito próxima. Eu fui estudante de um colégio católico e também gosto muito da filosofia estoica. A gente tem que tentar um pouquinho entender o outro, mas chega um ponto também que a gente acaba se ferindo e ferindo um pouco das relações pessoais. Passei alguns momentos bem turbulentos de uma forma difícil de interpretar. Eu na verdade sou um dos grandes entusiastas do SUS. Tenho uma vida curricular um pouco mais dedicada ao SUS, mais do que até o próprio secretário. Tive um apoio até do próprio governador, mas chegou um ponto que estava se tornando insustentável e a gente não conseguia mais avançar da forma. desejada e acabei, na verdade, pedindo a minha exoneração”, esclareceu.

Na visão do ex-diretor, existe um legado deixado pelo ex-governador Roberto Santos, mas a quantidade de pessoas envolvidas no processo acaba atrapalhando a gestão. “Essa questão política é uma coisa muito interessante. Só para termos uma noção, o orçamento anual do Roberto Santos ele gira em torno 280 milhões. Tem secretarias estaduais que não têm esse orçamento anual. É um grande legado do ex-governador Roberto Santos ter deixado, provavelmente, a maior estrutura de saúde do Norte e Nordeste, mas existem algumas dificuldades de gerir, já começando pela quantidade de pessoas que trabalham e que que vivem ali dentro”.

Completando sobre a politização do hospital, José Admirço afirmou que existem diversos fatores envolvidas que acabam atrapalhando a gestão. “É realmente um hospital politizado. Existem várias questões internas ali dentro. São funcionários públicos, são cargos de indicação, mas quando você tem um objetivo maior que é transformar e trazer daquele ambiente de trabalho para as pessoas, eu sempre falo que no que depender de mim e de minha equipe vocês vão ter um ambiente de trabalho melhor, e acho que foi isso que eu consegui. Não é fácil, eu sempre falo que se você não planejar o futuro hoje, ele não vai acontecer”, ressaltou o médico anestesiologista

Foto: Divulgação

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