19 de Setembro de 2021

Reencontro com técnico e preparação na Espanha levaram baiana Ana Marcela ao ouro

Assim que saiu das águas do Odaiba Marine Park, a nadadora Ana Marcela Cunha, 29, reuniu forças para levantar os punhos e dar um abraço em seu técnico, Fernando Possenti.

Ambos estavam emocionados, e a brasileira chorava aliviada com o peso que acabara de tirar das costas. Por 13 anos, entre o quinto lugar na estreia em Pequim-2008 e o ouro em Tóquio nesta terça-feira (3), a baiana colecionou 12 pódios de títulos mundiais, mas procurava a felicidade nas Olimpíadas. Favorita ao ouro no Rio de Janeiro, ela terminou com a 10ª colocação e admitiu ter cometido erros estratégicos.

No ano seguinte, a atleta voltou a trabalhar com Possenti -com quem havia rompido em 2015. Começou ali, depois dos Jogos do Rio, o projeto de medalha no Japão.

"O cara que está aí do seu lado [disse Ana para um repórter] é quem mais acreditou em mim. O Fer foi quem me trouxe até esse lugar", falou a nadadora, durante a coletiva. Em junho, na última etapa de preparação antes das Olimpíadas, Ana Marcela e Possenti foram para Sierra Nevada, na Espanha, que fica 2.320 metros acima do mar para que a atleta atingisse o ápice da condição física.

"A estratégia foi de suma importância, e a gente conseguiu colocar em prática, o que muitas das vezes isso não acontece", disse o treinador à Folha.

Ana se manteve no pelotão da frente durante toda a prova. Na primeira metade dos 10 mil km, ela chegou a cair para o quinto lugar.

A norte-americana Ashley Twichell, que mais ameaçou Ana no começo, apresentava frequência de braçadas superior à da brasileira, 46 por minuto contra 37.

"A Ana estava sim com a frequência de braçadas mais baixa que as adversárias, porém, gerando a mesma velocidade. Pode ver que ela não ficava para atrás do pelotão e chegou [para reta final] mais tranquila, menos desgastada", afirma Possenti.

Na parte final da prova, Ashley Twichell não conseguiu manter o ritmo, mas a brasileira passou a ser ameaçada pela holandesa Sharon van Rouwendaal, campeã nos Jogos do Rio-2016. Ana Marcela recuperou a liderança com menos de 1,5 km para o final e partiu para o seu sprint.

"A Ana conseguiu se impor, ditar um ritmo interessante que fez com que o pelotão se fragmentasse, e o pelotão [fragmentado] tem menos força de alcance quando um atleta consegue se desgarrar.

E ela conseguiu isso sem se desgastar com uma técnica muito boa. Foi essa estratégia que permitiu ela chegar com gás no final da prova", avalia o técnico.

Whatsapp

Galeria

Barcelona finaliza contratação de Neymar, diz TV
Imagens de 'close' inédito da Grande Mancha Vermelha de Júpiter
FOTOS HISTÓRICAS QUE VOCÊ PROVAVELMENTE NUNCA VIU
Ver todas as galerias

Artigos